A Polícia Civil tem hoje um déficit de pelo menos dois mil investigadores em Mato Grosso. Saldo que se torna ainda mais negativo devido à aposentadoria de policiais que não são substituídos. Por este motivo, o efetivo da categoria deve ter uma baixa de 100 servidores somente neste ano. A estimativa é do Sindicato dos Investigadores e Agentes Prisionais (Siagespoc).
“Os pedidos de aposentadoria são muitos. São cerca de 200 investigadores que já entraram com o pedido em 2009, ou vão se aposentar até o fim deste ano”, informou o presidente do Siagespoc, Clédison Gonçalves.
Em contrapartida, o número de vagas oferecidas para o quadro de servidores da Polícia Civil, especialmente a dos investigadores, no concurso público do Estado sequer cobre o déficit atual. “Temos colocado que não sabemos qual é a matemática que o governo do Estado fez para lançar concurso com 60 vagas, sendo que a Polícia Civil hoje trabalha com apenas 50% do número de investigadores considerado ideal”, comentou.
Atualmente, a categoria conta com um efetivo de 1.946 servidores em Mato Grosso. De acordo com Gonçalves, em 2005, um levantamento feito pelo próprio governo mostrou que Mato Grosso deveria ter 1.200 escrivães, 400 delegados e quatro mil investigadores.
“Temos que considerar que a população aumentou de lá para cá. No entanto, hoje temos menos de 600 escrivães, menos de 200 delegados e menos de dois mil investigadores”, reforçou. “Só em Cuiabá e Várzea Grande ficam com 30% do efetivo”, acrescentou.
Para complicar ainda mais, o presidente do Siagespoc destacou que dos 141 municípios mato-grossenses, pelo menos 60 não têm delegados. “As delegacias são comandadas por investigadores de polícia porque não tem delegado respondendo. São vários municípios sem a presença da Polícia Civil”, denunciou.
Entre essas cidades, Gonçalves citou Santa Cruz do Xingu (1.230 quilômetros a noroeste da Capital) e Bom Jesus do Araguaia (983 quilômetros a nordeste). “O serviço já não é bom por falta de efetivo e, se diminuir o quadro, só tende a se agravar”.
Outro exemplo é a Delegacia de Chapada dos Guimarães (67 quilômetros de Cuiabá), onde dois policiais civis se aposentaram e não foram substituídos. Os 17 mil habitantes da cidade têm à disposição 12 policiais (um policial para 1.214 moradores). Número que cai para apenas um em Nova Brasileira, município com 5.786 habitantes e que está sob a jurisdição da delegacia de Chapada, que também comanda Planalto da Serra.
O resultado da falta de recursos humanos e sobrecarga de trabalho é uma polícia improdutiva e, consequemente a população refém da criminalidade, já que a Polícia Civil tem função importantíssima no controle da violência. Entre outras funções, é ela que investiga os crimes, determina diligências, além de ter o importante caráter preventivo.
Neste sentido, Gonçalves acredita que o aumento na criminalidade no interior do Estado é um reflexo da falta de policiais civis atuando nas localidades.
Como no caso dos assaltos às agências bancárias, que vêm ocorrendo com frequência, como da agência do Banco do Brasil de Canarana (838 quilômetros a leste da Capital) feito por doze homens armados com fuzis em janeiro passado. “A bandidagem já sabe da fragilidade em determinadas cidades na área de segurança pública e tem se aproveitado dessa situação”.
Diário de Cuiabá